Tiago Zapater
Mais da metade da população brasileira (116 milhões de pessoas) vive com algum grau de insegurança alimentar, isto é, não sabe se fará todas refeições ou não consome todos nutrientes necessários. Ao menos 19 milhões de pessoas efetivamente passam fome. Selah.
O IBGE registra 11,9 milhões de desempregados e mais 4,8 milhões de desalentados (pessoas que poderiam trabalhar, mas desistiram de procurar emprego). Há 1,4 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola. Na saúde, faltam médicos, leitos, tempo de espera excessivo etc. Some a isso a degradação ambiental, a situação das populações indígenas e o esvaziamento das políticas de formação de cientistas e incentivo a artistas. Selah.
A cada quatro anos ainda existe (até quando?) a possibilidade de trocar o governo, quando esse governo não agrada ou não está fazendo um bom trabalho. Estamos, felizmente, em ano de eleições. Selah.
Faltando seis meses para as eleições, parece urgente perguntar: quais deveriam ser as prioridades daqueles que querem nosso voto? Bolsonaro concorre à reeleição, mas suas prioridades parecem estar em um outro mundo. Será que enfrentar o STF e defender uma visão particular da liberdade de expressão são assuntos que merecem tanta energia assim? Selah.
O governo enviou ao Congresso uma lista com os temas que são considerados prioridade em 2022 para o governo: armamento da população (PL 6438/19); simplificação dos documentos pessoais (PL 3228/21); marco legal do setor elétrico para expansão do mercado livre (PL 414/21); acessibilidade à leitura por pessoas com deficiência (PL 4315/21); regulamentação da mineração em terras indígenas (PL 191/20); do uso de agrotóxicos (PL 1293/21) da prática do lobby político (PL 4391/21), da carteira de trabalho/contrato verde amarelo (PL 6160/19) das concessões de florestas para iniciativa privada (PL 5518/20) e do homeschooling (PL 2401/19). No mundo bolsonarista, liberdade é um código para ausência de controle e prevalência da força bruta. Ser livre, para o bolsonarismo, significa fazer o que quiser, nos limites da própria força. Regulamentar, por sua vez, é um código para liberar ou, como disse um dos ex-ministros, “passar a boiada“. Selah.
Mais do que ideias ruins, são temas alheios à realidade da população. Na atual situação, o debate deveria se dar entre as ideias boas e as ideias não tão boas, mas bem intencionadas, para acabar com a fome, diminuir o desemprego, diminuir a inflação, melhorar saúde, a educação e a segurança pública. Até aqui, o único candidato já em campanha é o próprio presidente, e nenhuma das suas ideias parece ser boa, muito menos bem intencionada. Pior ainda, são ideias alienadas. Os problemas reais estão abandonados. Selah.
“A culpa é do fique em casa, a economia a gente vê depois“. É apenas isso que o presidente tem a dizer sobre assunto “realidade“, ou seja, as coisas são como são e há nada a fazer. Selah.
A verdade, contudo, é que o governo não tem nada a oferecer. Para além de uma versão corrompida da liberdade, tudo o que o Bolsonaro oferece, seja enquanto governo, seja enquanto candidato, é um populismo tosco em que religião e violência são substitutos pobres para uma política de pão e circo que não tem pão nem graça. Selah.
Para Saber Mais
Selah.
Expressão em hebraico que indica (entre outros significados) a necessidade de uma pausa para reflexão, uma antiga notação musical para pausa e reflexão entre os salmos cantados. https://www.gotquestions.org/selah.html
Fome no Brasil
Desemprego no Brasil
https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php
Prioridades do governo

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